domingo, 4 de fevereiro de 2007

Jamie Cullum no horário nobre

CD Catching Tales (Universal)
2005


Resenha publicada no jornal
IM - INTERNATIONAL MAGAZINE, edição nº 124 (agosto de 2006).



Até o início de Belíssima, pouco se falava no Brasil a respeito do cantor, compositor, pianista e guitarrista inglês Jamie Cullum - ainda que um outro trabalho seu já tivesse sido lançado por aqui (Twentysomething, 2004). Mas bastou que a parte internacional da trilha sonora da novela começasse a ser executada para que uma canção logo se destacasse: o irresistível pop de "Mind Trick", que acabou chamando a atenção para o álbum no qual está contida.

Faixa de Catching Tales, que também possui uma edição nacional (via Universal), "Mind Trick" passou também a ter boa execução nas rádios brasileiras. E nem poderia ser diferente: trata-se de uma canção popular que contém todos os predicados que caracterizam uma grande canção, na acepção da palavra - bela melodia, harmonia elaborada, refrão eficaz, arranjo bem concebido. O exemplo clássico de música que se ouve uma vez, e outra, e outra... sem cansar. Desde já uma fortíssima candidata a melhor música internacional de 2006 - ainda que o álbum tenha sido lançado no ano passado.

O curioso, entretanto, é que "Mind..." não reflete exatamente o contexto do álbum - exceção feita também a "Our Day Will Come". O CD trafega, na verdade, dentro de uma estética de jazz moderno, algo entre Norah Jones e Harry Connick Jr.

Entre canções autorais inéditas, Cullum desfila técnica, bom gosto e refinamento. E ainda se arrisca em cantar um clássico gravado por meio mundo (de Louis Armstrong a Bing Crosby, passando por George Benson, Ella Fitzgerald, Ray Conniff, Richard Clayderman, e até Caetano Veloso - em A Foreign Sound, 2004): "I Only Have Eyes For You". E não é que Cullum se saiu bem?

"Nothing I Do" e "21st Century Kid" ficariam perfeita na voz de Michael Bublé, por exemplo. Destaque também para "Photograph", "My Yard", "Catch the Sun", e a bela "London Skies". Enfim, independentemente de qualquer folhetim, Catching Tales é um álbum de classe - e merece ser ouvido.

2 comentários:

Clarice disse...

Eu me apaixonei pelo Jamie na primeira vez que o ouvi cantar...No final do fantástico rolou o "Wund cries Mary " e eu fiquei louca porque não tinha nada escrito, nome de música, cantor , nada..Daí mandei um email pro programa detalhando o dia , como era o clip e para minha alegria eles me retornaram e hoje eu tenho todos os labuns dele, um DVD espetacular, enfim , gosto muito do som dele...

Tom Neto disse...

Daí mandei um email pro programa detalhando o dia , como era o clip e para minha alegria eles me retornaram e hoje eu tenho todos os labuns dele, um DVD espetacular...

Uau! :) Bem, eu gostaria de conhecer mais a fundo o trabalho dele. Pelo fato de que ele transita muito bem entre o jazz e o pop – dois gêneros que adoro. Lembro exatamente do dia em que ouvi “Mind Tricks” pela primeira vez: fiquei “siderado” com aquilo. :)